Mostrando postagens com marcador 35 CTG. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 35 CTG. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Conheça os centros de tradições gaúchas e nordestinas

Bateu vontade de tomar chimarrão? E de dançar forró?

Na região metropolitana de São Paulo, pouco mais de 40 quilômetros separam o Rio Grande do Sul do Nordeste. Para dançar vanerão em um fandango no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) União e Tradição, em Embu, e, na mesma noite, curtir um forró no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), no bairro do Limão, basta viajar uma hora de carro. Pontos de encontro de migrantes que vivem por aqui, esses locais permitem apreciar músicas e danças típicas, além de matar a saudade de comidas difíceis de encontrar fora de seus estados de origem. Tanto no centro de tradições nordestinas quanto no gaúcho, quem nunca saiu de São Paulo pode imaginar que está no estrangeiro: os costumes, os trajes e o vocabulário mudam.

Apesar de guetos regionais, ambos estão abertos a qualquer brasileiro radicado na cidade e oferecem boas atrações gastronômicas e culturais mesmo para os paulistanos mais bairristas. No CTG, a impressão é que falta apenas o vento minuano soprando lá dentro para completar o cenário. O galpão onde se realizam os bailes lembra um rancho de fazenda. Até as placas de indicação são um tanto obscuras para os não iniciados. Elas apontam ao bolicho (bar) e ao banheiro de peão e de prenda (homem e mulher, em gauchês). Convidados costumam chegar a caráter, vestindo a pilcha. As prendas exibem modelos bordados e recatados. Já os peões rodam pelo salão com bombachas, lenços e botas. Decote, bermuda e minissaia são vetados. Quem não está "pilchado" se sente um peixe fora d'água, mas podem-se alugar ali mesmo roupas adequadas por cerca de 20 reais.

"Os CTGs foram criados para preservar a tradição gaúcha", explica o patrão, ou presidente, do centro, o paranaense Max Bruno Hiendlmayer, que fundou, em 1996, o União e Tradição com outras 72 famílias, entre elas paulistas, cariocas e japonesas. Sim, não se vê por lá só gente do Rio Grande do Sul. "O gauchismo é um estado de espírito", afirma o advogado paulista Reinaldo Lima. A catarinense Taize Zanco Barbosa que o diga. Passou a adolescência no CTG, onde batizou o filho, Lucas Schreiner, de 1 ano. "Dancei vários bailes com ele na barriga", conta. Não faltam nem cearenses que tomaram gosto pelas danças folclóricas. Caso do padre José Donizetti Rolim, de Juazeiro do Norte, que não perde um fandango. Profissionais liberais e empresários rodopiam ao som de bandas como Os Monarcas. "São os Rolling Stones dos tradicionalistas", diz o economista José Camilo Pegoraro, com um chimarrão na mão. Bem perto dele, Ademir Perin, sócio da churrascaria Jardineira Grill, arrisca alguns passos. "Vou mais ao CTG aqui do que quando morava no Rio Grande do Sul", afirma ele, que nasceu na cidade de Encantado. Essa paixão pela tradição não é algo exclusivo de homens e mulheres mais velhos. Em sua maioria, os que dançam o maçanico e o anu são jovens. A estudante de publicidade Patrícia Aguena, de 20 anos, não pára um minuto. "Vou a baladas, mas prefiro o clima do CTG." Há um código para a paquera. Peões solteiros usam lenço desamarrado no pescoço, e as prendas sem compromisso colocam flores do lado esquerdo do cabelo. A noite é longa e termina apenas quando os músicos param de tocar, por volta das 4 horas. É o sinal para avançar na mesa de café colonial, forrada de tortas e pães. Esse banquete matinal teria surgido para aplacar a bebedeira dos tropeiros na saída dos bailes. Não é à toa que, nas manhãs de domingo, a gauchada – de várias partes do Brasil – fica ansiosa pelas iguarias.

No CTN, o clima de festa é bem parecido. Alguns garçons usam chapéu de coco e deixam escapar um "sim, meu rei" quando estão diante dos clientes. Num barracão de 27 000 metros quadrados, cerca de 8 000 pessoas se espremem a cada sábado ou domingo para ver de perto as dançarinas de bandas de forró dentro de minúsculas minissaias. Dificilmente se encontra alguém com trajes regionais no meio da pista. Cada um se diverte à sua moda. É para lá que vão os nordestinos – cerca de 70% dos migrantes da capital – quando querem encontrar os amigos perdidos na cidade. A entrada é gratuita e o galpão chega a receber 100 000 freqüentadores todo mês. Zelador de um prédio da Avenida Angélica, o alagoano José Zito Ferreira diz ter reencontrado numa dessas comemorações um colega que não via fazia dez anos. Dono de uma barraca de comidas de seu estado, o cearense Vicente da Silva também já cruzou com parentes. As bandas Aviões do Forró e Calcinha Preta são as que mais fazem sucesso.

Quem quer fugir dos shows encontra opções no parque de diversões. Ou então pode ir até a capela para fazer um pedido ou agradecimento aos pés de imagens de Frei Damião e de Padre Cícero, cultuados como santos populares no Nordeste. O prato que mais se vê nas mesas é o baião-de-dois, que leva arroz, feijão-de-corda e queijo de coalho. No box 32, a porção serve até quatro pessoas e custa 23 reais. "Aos domingos, gastamos 100 quilos de arroz para preparar o prato", garante o proprietário Fernando Dantas de Lima, de Natal, no Rio Grande do Norte. "É o melhor baião da cidade", afirma o paraibano João Rogério Silva, gerente do restaurante Ruella, comandado pela chef pernambucana Danielle Dahoui, que costuma ir sempre ao CTN. "A galinha de cabidela é imperdível", diz ela, que recomenda ainda o licor de pequi.

Fonte! Chasque (reportagem) de Maria Paola de Salvo, publicado no sítio da Revista Veja São Paulo, no dia 09 de março de 2007. De forma eletrônica, abra as porteiras clicando em http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-1999/conheca-os-centros-de-tradicoes-gauchas-nordestinas

Retrato! Arquivo pessoal do Conjunto Musical Os Pampeiros (capa do primeiro CD).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Centro de Tradições Gaúchas completa 63 anos de idade

O CTG surgiu de um rompante juvenil.
Hoje, é o movimento de cultura popular brasileira mais organizado

Em abril, o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) criado no Brasil completa 63 anos de idade. É o 35 CTG, que fica em Porto Alegre. Surgido de um rompante juvenil, o CTG se transformou no que é provavelmente o maior movimento de cultura popular, organizado e centralizado, do país.

Muitas cidades têm uma estátua como símbolo, mas, em Porto Alegre, há duas particularidades: a estátua foi escolhida em uma eleição com mais de 500 mil votos e foi baseada em um modelo vivo, uma pessoa do mundo rural, Paixão Cortes. “É bom ser estátua, mas é melhor estar vivo”, diz.

A forma em gesso do laçador, vista na oficina do escultor Antônio Caringi, ficou pronta em 1954. Quatro anos, foi inaugurada em bronze, junto à entrada de Porto Alegre para quem chegasse pela BR-116.

Em 1977, uma foto mostra Paixão se pondo diante do laçador da bronze para mostrar como são bem parecidos o modelo e a estátua. Mas o que fez Paixão Cortes para se transformar em monumento em vida? “Dancei, cantei, sapateei e tenho a minha família. Fora esses aspectos artísticos, duas coisas eu distingo”, afirma.

Estamos indo para uma criação de ovelhas, cenário da primeira coisa que o Paixão fez. É do tempo em que ele, depois de formado em agronomia, era especialista em ovinos da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.

A tosquia tradicional de ovelha no estado era sempre feita com uma tesoura, em um corte denominado “de martelo”. Paixão foi contra esse corte porque, além de ter de amarrar as quatro patas da ovelha e eventualmente feri-Ia, produzia lã de segunda linha. E o tosador, ficando em posição incômoda, rendia pouco. Introduziu, então, a tosa por maquininha, sistema que conheceu por meio de ovinocultores australianos.

“O segredo da técnica é o ovino não botar a pata firme. Ele não tem como se apoiar, e, consequentemente, não levanta. É só um jogo de pernas”, diz Paixão. Em seu livro sobre ovinos, da mesma época, ele propôs especiais da carne de cordeiro e formas de melhor aproveitá-Ia.

Para lembrar a segunda coisa mais importante de sua vida, Paixão, aos 85 anos, monta de puxa uma linha de sete cavalos arriados, vazios. Repete a caminhada que fez em 1947,entre o Colégio Júlio de Castilhos e o centro de Porto Alegre.

Ele e mais sete estudantes tinham se vestido de gaúchos, e foram os oito participar de um cortejo que acompanhava os restos mortais de um herói da Guerra dos Farrapos. Esse conflito, que os gaúchos preferem chamar de Revolução Farroupilha, foi um movimento contra o Império na primeira metade do século XIX e que durou dez anos.

Aqueles oito estudantes queriam que, na solenidade, houvesse uma escolta de honra, gaúcha, típica. Parecendo hoje coisa simples, aquele gesto, na época, soava extravagante. Já em sua casa, um apartamento classe média em Porto Alegre, Paixão parece receber de volta a energia da juventude quando relembra aquele fato. “Passou uma pessoa desavisada que me viu com roupas típicas e gritou para mim ‘o carnaval já terminou, palhaço, que fantasia é essa?’”, diz.

Vindo do campo, o estudante Paixão estranhava, na cidade grande, o preconceito que havia contra o gaúcho, isto é, o homem simples da estância, da lida com gado. “Bota, bombacha, lenço no pescoço, na nossa cidade, capital do Rio Grande do Sul, eram vistos como maus elementos. Não entrava em um clube, era proibido de entrar no cinema e até na rua era mal vista. Se tomava condução, um bonde, não podia sentar”, afirma.

Resolveram então fundar uma entidade, em 1948, para cultuar a história e a cultura do Rio Grande, principalmente em relação ao mundo rural. Foram três dias de reunião só para escolher o nome.

Afinal, veio o batismo: 35 CTG. CTG, de Centro de Tradições Gaúchas. 35, para lembrar 1835, ano do início da Revolução Farroupilha. Mas a idéia, três anos depois da fundação, não estava dando muito certo. “Vivi grandes emoções aqui. Uma delas foi quando um cidadão, que tinha sido patrão aqui da casa, me procurou e falou que estava com uma missão muito triste para ser cumprida, que precisava fechar as portas do CTG 35. Estava com dívidas e não tinha sede. Falei ‘não faça isso, pelo amor de Deus. Precisamos lutar’”, afirma o agricultor Ody Pedro.

Começou , então, um movimento de pessoas e recursos tão forte que, não só o 35 não fechou, como passaram a surgir CTGs não só no Rio Grande do Sul, mas no país inteiro. Hoje, existem em quase todos os estados.

A relação de CTGs por estado é: Roraima, 1; Acre, 1; Amazonas, 3; Rondônia, 33; Tocantins, 1; Rio Grande do Norte, 1; Bahia, 5; Goiás, 10; Mato Grosso do Sul, 19; Mato Grosso, 19; Espírito Santo, 1; Rio de Janeiro, 7; Minas Gerais, 2; São Paulo, 28; Paraná, 255; Santa Catarina, 586; Rio Grande do Sul, 1.611. Há 12 no exterior.

No Brasil, os CTGs movimentam pessoas e recursos. Erival Bertolini, dirigente nacional do movimento, lembra que os Centros têm áreas esportivas, recreativas e sociais e campeiras. Fixando-se, porém, apenas no aspecto artístico, músicos envolvidos, dançarinos de danças típicas e participantes de fandangos, com roupas a caráter, o número de pessoas é grande, mais de 1 milhão.

Fonte! Este chasque foi publicado no sítio do G1 - http://www.g1.globo.com/, no dia 10 de abril de 2011. Fonte do retrato! Sítio do Inema - http://www.inema.com.br/