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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Regional Atlântico

O Rio Grande do Sul nesta época se reveza em férias, as praias do Atlântico, os balneários dos rios, lagos e lagoas, são tomadas pelo povo que aproveita o período ao merecido descanso, depois de um ano de atividades profissionais no sustento da vida familiar e social. 
 
Mas ao regionalismo que é nossa praia, acontece bons eventos onde a gauchada urbana que gosta de camperismo se diverte. Temos rodeios, festivais e cavalgadas.
Dos Rodeios o mais famoso – o Rodeio de Vacaria vai se desdobrando lá nos campos de cima da serra, com armadas de respeito na cancha de laço e gineteadas, nos palcos a juventude tradicionalista dança, canta, toca declama tudo de melhor do pago, nos galpões e nos acampamentos as tertúlias envolvem as gentes em pura descontração cultural e nas charlas gaúcha.  
Dos festivais, temos neste período de verão em Tapes – o Acampamento da Arte Nativa, em Rosário do Sul a Gauderiada da Canção e em São Lourenço – o Reponte, quando o melhor da musicalidade rio-grandense se reveza nesses palcos com altivez. 

Das cavalgadas, desenvolve-se a maior do mundo, a CAVALGADA DO MAR, quando mais de 5 mil pessoas, sendo 2 mil cavalarianos, formam um atrativo diferente no planeta, enquanto a gauchada se delicia no trote de seus cavalos, com a brisa do mar batendo na cara, os veranistas assistem um espetacular desfile, puxado pelo piquete do comando de Wilmar Romeira há mais de 20 anos, hoje na 28ª edição desse cartão postal gaúcho que encanta aos que correm para assisti-lo ao vivo na orla, de Dunas Altas a Torres.

E assim vai o Rio Grande regional se desenvolvendo, marcando tempo e espaço nos corações dos que entendem e dos que aprendem a sentir o pulsar da terra nativa pela sua cultura mais autêntica a do ser gaúcho e do ser gaúcha.  
Por isso nossa cultura não morre e nunca morrerá, porque aqui sempre haverá velhos incentivando jovens, jovens incentivando crianças a curtirem nossas raízes, sem desmerecer a dos outros que também podem vivenciar o que nos é mais caro, por ter sido construído por amor e pela liberdade. 

Até no Planeta Atlântida o regionalismo incendeia a multidão, pois vai do rock ao chamamé, mostrando que o Rio Grande não tem medo do tempo, e o grito do índio ecoa mais uma vez no Planeta – mostrando que está terra tem dono!       

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Fonte! Coluna Regionalismo nº 487, do dia 09 de fevereiro de 2012, por Dorotéo Fagundes de Abreu.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A LUA NOVA

Se na Lua Nova é recomendável para se produzir plantas que dão flor, me agrada fazer um paralelo e sugerir que façamos florescer em nossos corações coisas importante ás nossas vidas. O período é muito propício a nos desencilharmos de velhas e pesadas cargas que nada contribuem a felicidade.


De forma geral neste momento o Rio Grande do Sul está em férias, divida em 4 etapas, digamos que ¼ do estado tira férias em novembro, outro em dezembro, outro em janeiro e o última quarto em fevereiro, e justamente nessa época é que nos libertamos da rotina anual, logo me parece um excelente período para fazer a florescer coisas novas na vida.

Que tal aproveitar as luas novas das férias e regar nossa alma com a vontade do novo e deixar que nasçam flores de amigos, de costumes bonitos, como não jogar lixo nas estradas, respeitar as placas de sinalização, chegar vivo nos destinos, ter paciência no volante, ser cordial, pisar no freio da ânsia, providenciar que floresça nas luas novas das férias – bons pensamentos.

Diz o cientista norte-americano Dr. Juan Hitzig, que cada pensamento gera uma emoção que impactam os cinco trilhões de células que formam um organismo, assim as atitudes S, como serenidade, silêncio, sexo, sono, sorriso, sabor, sabedoria, promovem secreção de serotonina, e que as atitudes R, da raiva, ressentimento, rancor, reprovação, repressão, resistências, promovem secreção do cortisel, hormônio corrosivo para as células que nos envelhecem.

Logo as atitude S, geram ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação, já as atitudes R, geram depressão, desânimo, desespero, desolação. Então não estamos errados em pedir, sugerir que nessa lua nova criem essa nova forma de curtir a vida para deixar a florescer a felicidade e a longevidade.

Numa de nossas praias, alguém de atitude R, invocou-se com o canto divino de um galo, criando uma desarmonia geral, quando deveria ter se preocupado e protestado, com os auto-falantes de carros que passeiam nas cidades, no litoral, com uma poluição sonora pseudo musical inacreditável, (nem o som de uma sinfônica a todo volume é coisa civilizada, imaginem com um fank), e no final das contas quem levou a culpa do nervosismo desse veranista foi o coitado de um galo, que mal sabe repicar em quatro breves có-coró-có-cós, três notas musicais no máximo 4 vezes em 24 horas, levando á praia seu canto um clima colonial, de campo que na Lua Nova faz crescer flores e amores na profundeza da alma.

Para pensar: O homem moderno precisa amadurecer e parar de brigar com a natureza.

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Fonte! Coluna Regionalismo nº 486, de Dorotéo Fagundes de Abreu, do dia 01 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Aos Aposentados do Brasil!

Se algo que me deixa inquieto é essa tal de previdência! Um plano governamental de um fundamento extraordinário, que reúne em percentual uma quantia fabulosa de recursos emanados da sociedade, mas que não cumpre sua finalidade na plenitude, alias como tudo da obrigação pública, sempre chega aos pedaços, na hora da precisão do contribuinte não se completa, se este não tiver um apadrinhamento.


Dia 23 será o Dia do Aposentado, eu programei me aposentar quando tinha 14 anos, aos 45 anos – pagando uma aposentaria privada à SBOFA – Sociedade Beneficente dos Oficiais das Forças Armadas e recolhendo ao INPS, pois já tinha carteira de trabalho assinada no Escritório de Contabilidade dos Varejistas de Uruguaiana, do maravilhoso cidadão, historiador, professor Raul Pont, de saudosa memória e do contabilista Jorge Rego.

O tempo passou, bati na casa dos cinqüenta e dois e não consegui realizar meu plano de aposentadoria, porque, a SBOFA quebrou no meio do caminho, aos 23 anos passei a trabalhar por conta, e desiludido por amigos mais velhos que passaram 35 anos recolhendo o valor máximo para ganhar uma aposentadoria que lhes mantivessem o padrão social, e na hora do bem bom – passaram a receber 50% do valor previsto, nunca mais recolhi para a tal previdência, que na verdade previne o salário e boa aposentadoria aos que lhe servem, aos que lhe roubam e não aos que lhe sustentam. Além disso, o fundo previdenciário nacional empresta verba para obras governamentais que não lhe ressarciam, fomentando um autêntico buraco negro.

E sinceramente, depois de ver tanto aposentado tendo que trabalhar para ter uma renda extra e ver descontado a previdência desse salário, eu nem penso mais em aposentadoria, vou tocar a vida do jeito que vier, até que o Patrão Maior resolva me aposentar definitivamente da vida terrena, ai sim vocês vão ver que aposentadoria jubilosa, no jardim da verdade verdadeira da previdência divina.

Amigos aposentados e futuros aposentados, que trabalham pela dignidade, pelo sustento honesto, que não roubam, que não invadem os espaços alheios, que não trapaceiam, a cada dois anos temos eleições nesse país, daí sugiro que pelo voto, num estado democrático pleno, em paz, com muita categoria e sapiência que lhes fez chegar até aqui, (lembrem-se de aposentarem de vez, esses que enquadrilhados passam a vida toda mentindo, vendendo voto e mamando no público, sem nunca terem trabalhado a favor da coletividade, da nação), para que nossos filhos, nossos netos, possam recolher para a previdência e receberem o justo e não esmola, acompanhada de esfarrapadas desculpas.

Para pensar: Cumprir Lei deveria gerar benéfico e não só obrigação.

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Fonte! Coluna Regionalismo nº 485, do dia 24 de janeiro de 2012, por Doroteo Fagundes de Abreu.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Parabéns Crioulo!

Umas das coisas notáveis do ser gaúcho é buscar personalização de costumes que se aquerenciam aqui, ou seja, mania de dar jeito gaúcho ao que vem de fora. Foi assim com a música, com a dança e outros costumes, como a missa que antes só se rezava em latim.


Foi aqui no sul que o Padre Paulo Aripe, gaúcho de quatro costado, encilhou seu pingo, foi ao vaticano e cancheou o Papa, que lhe concedeu autorização para rezar a missa a moda gaúcha, oficializando assim a Missa Crioula, que ele por conta própria já rezava de quando em vez nos CTGs e acabou sendo aderida pela Igreja Católica á rezar nos templos, influenciando todos os credos a fazerem o mesmo, tendo assim seus cultos crioulos.

Logo depois dessa conquista do padre Paulo Aripe, que já mateia no céu perto de Deus, os negros norte-americanos foram ao PAPA pedir a mesma licença para realizarem suas missas carismáticas que viraram atração turística nos Estados Unidos. Mas foi o padre gaúcho de Uruguaina que na década de 1970 – primeiro mexeu na liturgia milenar católica, tanto que logo o vaticano acabou ordenando que as missas não fossem mais rezadas em latim e sim, no idioma dos países onde a igreja se encontrara.

Mas não paremos por ai, a mania de se agauchar tudo que não é nativo e aquerenciado aqui, antes da Missa Crioula, teve o Parabéns Crioulo!

Na segunda década de 1900, o mundo ocidental passou a se alegrar nos dias de aniversário de seus familiares em festas intimas, interpretando em coro o conhecido "Happy Birthday to You" de Robert Coleman, que parodiu a música criada em 1893, pelas professoras Mildred e Patricia Smith Hill de Kentucky - EUA. No Brasil, em 1942 a paulista Bertha de Mello, compôs a letra do nosso Parabéns a Você, abrasileirando o canto dos norte-americanos .

Mas para os gaúchos isso era pouco, tanto que em 1958, dois qüeras, um de General Câmara – chamado Eleu Salvador e outro de Bagé – chamado Dimas Costa, resolveram compor o Parabéns Crioulo, que felizmente hoje é cantado em todas as festas de aniversário de gaúcho em qualquer querência, acolherado no Parabéns a Você, norte-americano, abrasileirado.

Sinceramente eu acho isso magnífico, traduzir ao seu ambiente um costume estrangeiro que é muito diferente de copiar, nesse caso é nacionalizar um costume mundial, afinal todos um dia nascemos e precisamos lembrar disso por várias razões, sócio, econômicas e políticas, mas sobre tudo para passarmos uma régua na consciência e medir o que de bom realizamos na vida a cada ano que passa e mais, para resgatarmos o que de errado fizemos no passado, á termos um destino feliz.

E nesse momento, vamos cultuar a memória dos compositores do Parabéns Crioulo, da música – Dimas Costa (radialista, poeta, escritor e ator bageense) que estaria de aniversário no dia 20 de janeiro e do autor da letra – Eleu Salvador, (compositor, ator e locutor dublador de filmes), falecido em 10 de agosto de 2007.

Para pensar – Não é correto fugir de nossas raízes, por uma questão de identidade.

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Fonte! Coluna Regionalismo nº 484, de Dorotéo Fagundes de Abreu, do dia 16 de janeiro de 2011.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

REGIONALISMO - Por Dorotéo Fagundes de Abreu

DOIS AGRIMENSORES DA CULTURA REGIONAL


Luiz Carlos Barbosa Lessa e Darcy da Silva Fagundes foram dois brasileiros gaúchos que deixaram marcas profundas em nossa cultura. Lessa um teórico, estudioso, astuto que perseguiu na vida o que a alma lhe mandava, o que pensava escrevia e realizava, conseguindo montar um acervo que hoje é atração no museu Zeca Neto de Camaquã. Darcy um boêmio, jogador, apaixonado, irmão, poeta, ator, recitador, apresentador, alma de artista, o que pensava dizia em prosa e verso com uma emoção contagiante, deixando um elenco maravilhoso de declamações que poderiam ser usadas no templo de qualquer religião ou no plano de governo de qualquer nação, na conquista de uma vida social justa e perfeita.

Esses dois, cada um em sua invernada, realizaram coisas em torno da cultura gaúcha que o mundo duvida. Foram vaqueanos, tocadores de tropas, abridores de porteiras, definidores de estilo artístico que seguiram estradas paralelas no mesmo sentido, convergindo no ser gaúcho.

Darcy desembaraçado falante, Lessa tímido observador, mas duas almas puras que desconheciam a palavra não estendiam o bacheiro a qualquer andante, viam o mundo de alma aberta e bem por isso viveram intensamente rodeados de amigos e admiradores.

Eu tive o privilégio de conviver com os dois, em momentos diferentes, mas em torno do mesmo ideal, o da nossa cultura regional. Com Darcy na década de 80 dividi palco em várias apresentações do show fagundaço na capital e no interior, e com Lessa na década de 90 fui platéia de suas palestras e visitante em seu rancho de Camaquã.

E como marca no Livro-Agenda Gaúcha, nesta semana eles aniversariariam aqui, mas o festejo será na querência maior, nas planuras celestes onde os dois certamente mateiam juntos nos espiando e inspirando a seguirmos no caminho que eles trilharam, fazendo o bem à humanidade pelo regionalismo.

Coincidentemente nesta semana tem o dia do Agrimensor, e agrimensura é uma ciência muito antiga, associada à astrometria, que tinha por objetivo projetar na superfície terrestre as coordenadas celestes e assim demarcar uma extensa região terrena como se fosse num plano. Lessa e Darcy de certa forma foram dos agrimensores que demarcaram o campo de nossa raiz cultural, pela literatura e pela poesia regionalista que nós cultuamos agradecidos e felizes por eles que sabiam o que queriam.

Para pensar – Quem não segue o seu coração não vive feliz!

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Fonte! Esta é a Coluna Regionalismo nº 479, de 12/12/2011, por Dorotéo Fagundes de Abreu.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

REGIONALISMO - Por Dorotéo Fagundes de Abreu

PELO DIA NACIONAL DA FAMÍLIA!
Dia 8 de dezembro comemora-se o dia, e parece mentira que nestes tempos, tenhamos que parar para pensar o que realmente seja uma família? Ou não? Será que todos nós temos consciência disso? Vejamos – família é o conjunto de pessoas do mesmo sangue, formada por pai, mãe e filhos, mais a soma dos parentes ascendentes, descendentes e paralelos.

 Família é célula da construção social – todos concordam, mas não tem sido a célula sustentadora da sociedade, porque os casamentos se dissolvem, os filhos crescem e se espalham que nem filhos de perdiz e os laços familiares ficam apenas no sangue e no sobrenome, que muitas vezes desaparece.

 É comum encontrar pessoas que dizem – eu não tenho família. Será mesmo? Como alguém pode ter nascido e não ter família? Será que esse foi renegado ou renegou sua origem? Será que morreram todos? No fundo todos nós temos alguém no rastro da vida familiar, que perdemos de vista e ou não queremos encontrar, por isso ficamos sós.

 Bueno, mas quem é agora a célula sustentadora da sociedade, já que na opinião de muitos a família não serve mais para essa missão? Defendo que seja a cultura e mais, a cultura regional, que nos remonta ao que nós somos, pela simples razão de fazer o caminho inverso para encontrarmos a família, vejamos.

 O caminho natural da projeção social é nascer, ter nome (que é marca pessoal), sobre nome (que é marca do clã) e cultura regional, (que é marca do lugar onde nascemos). Logo se nos dermos conta e nos apegarmos á cultura regional, teremos encontrado o fio da meada que nos levará de volta ao pago, a família universal, pela identidade cultural, que une e cria afetividade.

 É isso ai que falta nas famílias modernas, afetividade, compreensão de que se nascemos no mesmo núcleo é porque temos algo espiritual incomum e devemos nos render a essa verdade e buscar o convívio com a responsabilidade imposta pelas regras naturais da cultura social, do contrario nos desgarramos, ficamos sós e não poderemos nos queixar da sorte e reclamar que não tivemos família.

 Para pensar: O ditado é bíblico – o bom filho a casa volta!

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Fonte! Coluna semana Regionalismo M487, de 07 de dezembro de 2011, por Dorotéo Fagundes de Abreu.

E esta coluna está estreando aqui no Sítio dos Pampeiros no dia de hoje. Semanalmente estaremos trazendo a coluna do Dorotéo aqui no Sítio.